terça-feira, 19 de abril de 2011

A PÁSCOA

Origem e significado do termo
A Páscoa (do hebraico פסח -Pessach, significando passagem, e do grego pasca - Πάσχα). Teve origem no Egito quando antes da execução da décima e última praga de Javé contra os egípcios, Ele ordenou aos filhos de Israel, seu povo, que matassem um cordeiro e aplicasse o sangue desse nas ombreiras e nas vergas das portas, para que o anjo vingador passasse sobre a casa que tivesse o sinal do sangue e não matasse o filho primogênito daquela casa. Chegada à noite, os hebreus comeram a carne do cordeiro, acompanhada de pão ázimo e ervas amargas e, a meia noite, veio o vingador e ceifou os primogênitos do Egito. Depois desse evento os israelitas foram instados a deixar, rapidamente a terra de sua servidão. A partir de então, isso se tornaria uma festa a ser repetida anualmente - A Festa da Páscoa (Êxodo 12). 

A celebração Judaica

 Atualmente o ritual da páscoa judaica difere daquela dos tempos bíblicos, embora o sentido continue. Essa diferença ocorre porque hoje os judeus não têm mais o tabernáculo ou templo, onde a festa era celebrada, lá cordeiros eram mortos, parte deles queimada e outra comida junto com ervas amargas e pão sem fermento (Nm 28: 16, 17); o sacrifício era feito ao som do Hallel completo (Salmos 113 - 118) cantado e acompanhado de instrumentos musicais. Na Wikipédia, enciclopédia livre virtual, a celebração da páscoa judaica atual é descrita assim:


“A festa de Pessach é antes de tudo uma festa familiar, onde nas primeiras duas noites (somente na primeira em Israel) é realizado um jantar especial chamado de Sêder de Pessach. Desta refeição somente devem participar judeus e gentios convertidos ao judaísmo. Neste sêder a história do Êxodo do Egito é narrada, e se faz as leituras das bençãos, das histórias da Hagadá, de parábolas e canções judaicas. Durante a refeição, come-se pão ázimo e ervas amargas, e utiliza-se roupa de sair para lembrar-se do "sair apressado da terra do Egito”.






A instituição da páscoa cristã

Jesus pediu a seus discípulos que lhe preparassem a Seder Pessach, e a comeu com eles na noite da páscoa (Lc 22: 7 - 21), ou seja, na noite que antecedia o dia da páscoa, quando acontecia a festa propriamente dita (Jo 13: 1); para os judeus a dia começa num por do sol e termina no seguinte, esse evento ficou conhecido como a última ceia e nós sempre a citamos quando vamos celebrar a Santa Ceia do Senhor, o que já nos diz que, para nós cristãos, a ceia é a nossa celebração pascal. A crucificação de Jesus deve ter acontecido por volta das nove horas (9h) da sexta-feira e sua morte, aconteceu perto da hora nona, ou seja, quinze horas (15h), como nos informa Mateus (Mt 27: 46).


Paganismo associado à páscoa

Estranhamente vemos nas celebrações judaica e cristã da ceia elementos estranhos a aqueles instituídos pelo SENHOR no deserto, para ser relembrado pelos israelitas e, também, daqueles que nosso Senhor Jesus Cristo ordenou que fosse usado na ceia do Senhor. Esses elementos estranhos são o coelho e o ovo, sendo que o coelho aparece apenas entre os cristãos, ao passo que, o ovo entre as celebrações de ambas as religiões.

Os judeus dizem que o ovo representa o sacrifício de Chaguigá. E que seria, um outro sacrifício apresentado e comido antes do sacrifício pascal propriamente dito, que só acontecia no final; dizem que simboliza também o luto pela impossibilidade de culto no templo santo; e ainda, refere-se ao ciclo de mudança, dessa maneira expressando a esperança de que o Templo será reconstruído em breve.

Entre os cristãos, geralmente se justifica a presença do coelho e do ovo de páscoa devido à notória capacidade de reprodução desse animal, que se tornou símbolo da fertilidade. Já o ovo, representa o surgimento da vida e a origem do mundo. Daí sua relação com a ressurreição de Cristo e a Páscoa.

As justificativas apresentadas acima parecem ser mais desculpas do que explicações plausíveis para a inserção de símbolos pagãos na páscoa. Haja visto que, os dois elementos usados eram comuns entre antigos cultos; alguns deles, no império romano principalmente, foram contemporâneos dos cristãos e dos judeus e, estes foram influenciados.

O site ceticismo.net, no artigo A verdadeira História da Páscoa (http://ceticismo.net/religiao/a-verdadeira-historia-da-pascoa/), mostra o uso do ovo e do coelho em vários cultos espalhados pelo mundo e tempo:

O ovo é um destes símbolos que praticamente explica-se por si mesmo. Ele contém o germe, o fruto da vida, que representa o nascimento, o renascimento, a renovação e a criação cíclica. De um modo simples, podemos dizer que é o símbolo da vida.

Os celtas, gregos, egípcios, fenícios, chineses e muitas outras civilizações acreditavam que o mundo havia nascido de um ovo. Na maioria das tradições, este “ovo cósmico” aparece depois de um período de caos.

Na Índia, por exemplo, acredita-se que uma gansa de nome Hamsa (um espírito considerado o “Sopro divino”), chocou o ovo cósmico na superfície de águas primordiais e, daí, dividido em duas partes, o ovo deu origem ao Céu e a Terra – simbolicamente é possível ver o Céu como a parte leve do ovo, a clara, e a Terra como outra mais densa, a gema.

O mito do ovo cósmico aparece também nas tradições chinesas. Antes do surgimento do mundo, quando tudo ainda era caos, um ovo semelhante ao de galinha se abriu e, de seus elementos pesados, surgiu a Terra (Yin) e, de sua parte leve e pura, nasceu o céu (Yang).

Para os celtas, o ovo cósmico é assimilado a um ovo de serpente. Para eles, o ovo contém a representação do Universo: a gema representa o globo terrestre, a clara o firmamento e a atmosfera, a casca equivale à esfera celeste e aos astros.

Na tradição cristã, o ovo aparece como uma renovação periódica da natureza. Trata-se do mito da criação cíclica. Em muitos países europeus, ainda hoje há a crença de que comer ovos no Domingo de Páscoa traz saúde e sorte durante todo o resto do ano. E mais: um ovo posto na sexta-feira santa afasta as doenças.

... No antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos da Antigüidade o consideravam o símbolo da Lua. É possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao fato de a Lua determinar a data da Páscoa.

Mas o certo mesmo é que a origem da imagem do coelho na Páscoa está na fertililidade que os coelhos possuem. Geram grandes ninhadas! Assim, os coelhos são vistos como símbolos de renovação e início de uma nova vida. Em união com o mito dos Ovos de Páscoa, o Coelho da Páscoa representa a renovação de uma vida que trará boas novas e novos e melhores dias, segundo as tradições.

Esses símbolos se encontram na antiga mitologia anglo-saxã que celebra a Eostre (ou Ostera) deusa da fertilidade; representada por uma figura de mulher, jovem, segurando um ovo e olhando um coelho. Este mito encontra correspondência em vários cultos mitológicos antigos, como o nórdico, o germânico, o grego, o fenício e o babilônico. A correspondência é percebida pela similaridade da representação do mito a da festividade referente à ele, a saber os festivais da primavera, onde se celebrava a renovação da vida com a chegada da nova estação.

Há quem afirme que os missionários cristãos que chegaram a Inglaterra no século II dC usaram a festa de Eostre como uma ferramenta ilustrativa da morte e ressurreição de Jesus, para converter aquele povo e, que após essa conversão, mudaram a data de celebração para a mesma da morte de Jesus.


A verdadeira páscoa cristã

A páscoa cristã não é celebrada apenas uma vez por ano, mas sempre que a ceia do Senhor acontece. Contudo, é importante usar essa festa anual como forma de lembrar a data da morte e ressurreição do nosso Senhor Jesus Cristo.
A verdadeira forma da páscoa cristã e os elementos legítimos dessa celebração são aqueles instituídos por Jesus, o pão e o vinho, representando seu corpo e sangue; isto é, uma lembrança e pregação simbólica do sacrifício de Cristo, como bem mostrou o apóstolo Paulo em 1Coríntios 11: 23 - 26

23 -Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; 24-E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. 25-Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. 26-Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha.

O texto bíblico supracitado nos informa que:

a)     O Pão representa o corpo de Jesus: O cordeiro santo de Deus (E, vendo passar a Jesus, disse: Eis aqui o Cordeiro de Deus. João 1:36), que recebeu sobre seu corpo os pecados, portanto, a condenação dos salvos (Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados. 1 Pedro 2:24 - Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Isaías 53:5)

b)    O vinho representa o sangue de Jesus: Que limpa o pecador dos seus pecados e conseqüentemente da ira santa de Deus (...o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. 1 João 1:7 - Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Romanos 5:9)

Essa páscoa cristã tem o significado prático daquilo que a páscoa do antigo testamento tipificava. O cordeiro no antigo testamento é o tipo de Jesus Cristo, seu sangue, tipo do seu sacrifício. Ora no Egito, por ocasião da décima praga, o sangue livrou da morte quem estivesse na sua casa, e deu a liberdade a quem estava sob sua proteção. Hoje Jesus livra da ira de Deus e dá libertação àqueles que recebem o lavar, a marca, a proteção do seu sangue.

Pr Rovanildo V. Soares

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